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PIRASSUNUNGA - Contexto histórico da origem do município
 

Pirassununga 182 anos

Caderno especial

 

 

Contexto histórico da origem do município

 

Painguás. Assim eram chamados os índios da tribo Tupi-Guarani que, primeiramente, habitaram nossas terras. Agrupavam-se onde atualmente se localiza a Cachoeira de Emas. Nas margens do rio Mogi-Guaçu existia quatro aldeias, duas de cada lado. Ali permaneceram de 1825 até mais ou menos, 1880 e, denominaram de PIRA-SUNU-NGA. Que pronunciavam em três palavras daquele dialeto, da seguinte forma: PIRA-SUNU-NGA, sendo: Peixe-Barulho-Lugar.

Assim, em tradução literal, significa “lugar onde o peixe faz barulho”. Em tupi-guarani o “s” é sempre brando e não soa como “z”; daí, o fato de ser “s” dobrado (ss) em Pirassununga. Os índios observavam as grandes subidas (piracemas) dos peixes no rio Mogi-Guaçu e os roncos dos curimbatás nas desovas – eram tantos os peixes e tão fortes os seus roncos, que os índios somente podiam chamar o lugar desta maneira.

A data de fundação do povoado, segundo Faustino Ferreira de Albuquerque que se refugiou sob o pseudônimo de Xavier Novaes, em 1904, nos seus “Apontamentos” sobre a cidade descreveu: “(...) Não se conhece precisamente a data de fundação deste povoado...” Por isso fixou-se a data de 6 de agosto de 1823, onde havia uma pequena imagem que permaneceu em Pirassununga até 1878; esta que provavelmente foi trazida pelas famílias pioneiras para que servisse de padroeiro deste lugar foi trocada na corte, no Rio de Janeiro, por outra, mais bonita. Com a demolição da antiga Matriz, entre 1970 e 71, a imagem ficou no esquecimento; guardada pelo senhor José Lébeis reaparecendo na Igreja da Assunção após a sua construção e após o passamento do senhor Lébeis.

A imagem do Senhor Bom Jesus dos Aflitos de 1878, em cedro, com olhos de vidro, medindo 48,5 cm de altura e pesando 1.039 kg encontra-se hoje em sua Matriz onde se tornou padroeiro oficial da cidade.

 

Os pioneiros

A partir de 1809 começaram a chegar os pioneiros moradores brancos, a começar por Christovam Pereira de Godoy e sua mulher Anna Maria da Conceição, os quais fundaram a primeira propriedade rural do município, a Fazenda Santa Cruz que desmembrada através dos anos, em boa parte permanece com a mesma designação e, ainda, nas mãos de alguns Pereira de Godoy.

Em 1823 aconteceu a vinda de Ignácio Pereira Bueno e de sua mulher Anna Francisca da Silva, que aplicaram suas posses em terras onde hoje está localizada a área central da cidade. Este casal, em 1842, fez doações das terras para o Patrimônio da Freguesia de Pirassununga.

Mais tarde, o já então Bairro do Senhor Bom Jesus dos Aflitos a nascer às margens de um ribeirão, que depois se chamou Ribeirão do Ouro juntamente com a capela e um largo aberto no meio do mato que aumentado deu origem à Estação Rodoviária e a Igreja da Assunção.

A região de Pirassununga foi fundada e povoada primeiro por homens brancos e por negros escravos que vieram da região de Bragança (hoje Bragança Paulista), de Mogi-Mirim e de outras localidades, entre os anos de 1809 e 1842, muitos de seus familiares, já na oitava geração, ainda permaneceram em nosso município. São Eles: Pereira de Godoy, Bueno de Godoy, Moraes Sardinha, Cardoso, Souza Mourão, Bueno, Leme da Silva, Pereira de Araújo e Soares de Araújo.

Desde o início, os pioneiros trouxeram para Pirassununga o trabalho de escravos negros. Em 1842, o núcleo urbano do bairro deveria ter cerca de quinhentos habitantes e a zona rural, em torno de mil e quinhentos, dos quais aproximadamente quatrocentos eram escravos e seus familiares. Quando foi decretada a Lei Áurea, em 1888, libertando os escravos, Pirassununga deveria ter mil e duzentos deles.

No final de 1870 existiu um quilombo onde se escondia um bando de escravos fugidos, que de vez em quando saíam pela antiga estrada que ligava Pirassununga a Descalvado, para pedir comida, agredir pessoas e realizar assaltos.

Após a Lei Áurea, a nossa zona rural se ressentiu da falta do braço trabalhador do escravo. Entretanto, houve compensação, pois os imigrantes europeus (mais de mil nomes familiares italianos) começaram a chegar, a partir de 1890, enchendo as fazendas e a própria cidade com pessoas que falavam outros idiomas, traziam outras culturas: trouxeram a poesia, a música, a nova arquitetura e as novas práticas agrícolas.

Simultaneamente ao processo descrito, a partir de 1885 ocorreu o desenvolvimento do comércio e foi também a partir deste ano que o governo de Mogi-Mirim começou a coletar os primeiros impostos e taxas. Como Distrito ganhou o seu primeiro Juiz de Paz, o senhor João de Deus Bernardo, no recinto do juizado estava o livro de notas para registro oficial de compras e venda, sendo que a primeira escritura foi passada em 3 de outubro de 1935.

Em 1865 passou à vila de Pirassununga; até então não tinha autonomia administrativa e quando se tornou vila teve governo municipal próprio, com Câmara de vereadores e eleições realizadas dentro da Matriz. Foram cerca de 154 eleitores que elegeram o primeiro presidente da Câmara, o capitão Manuel Joaquim de Oliveira e Silva (capitão Maneco) e sete vereadores.

Em 1878 aconteceram dois fatos importantes para a vida de Pirassununga: a visita do Imperador Dom Pedro II e a chegada dos trilhos da estrada de ferro, da antiga Companhia Paulista de vias Férreas e Fluviais. Com cinco milhões de pés de café em nossas fazendas em 1884, e a grande importância da cafeicultura o cidadão José Peixoto da Motta Júnior com o apoio da Câmara Municipal e dos fazendeiros locais, organizou a I Exposição Regional de Café e editou um “Almanach de Pirassununga”, do qual resta uma única cópia, presente na Biblioteca do Museu Paulista, em São Paulo.

Este “Almanach” foi revisto e ampliado e, novamente publicado em 1885; sua cópia, igualmente está no Museu Paulista. Ainda assim, o desenvolvimento de Pirassununga se dava a passos lentos. Os anos foram passando e a cidade atingiu o apogeu de seu desenvolvimento durante os anos de vida política de Fernando Costa. Este veio para a nossa cidade após o casamento com uma filha da terra: Anita Costa. Estudou agronomia na Faculdade de Piracicaba, foi vereador e presidente da Câmara dos vereadores e após a morte do coronel Franco da Silveira assumiu o cargo de prefeito.

Foi durante sua gestão em Pirassununga, no estado de São Paulo, e em Brasília como ministro da Agricultura, que a cidade tomou outros rumos.

 

(texto extraído da revista “Pirassununga – 175 Anos”, publicada pela Editora Pirassununga Ltda, em Agosto de1998)

 
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